11, abril, 2013

O barista cearense que conquistou SP

Como você começou a carreira de barista?
Moro em São Paulo há 12 anos. Como a maioria do pessoal que saí do interior, fui para São Paulo para tentar uma vida melhor. Procurando emprego por lá, entrei no mundo do café. O começo foi muito difícil, saudade dos pais, as dificuldades da cidade grande. Consegui um emprego em uma cafeteria, a Santo Grão, e o pessoal começou a gostar do meu trabalho.  O que me chamou a atenção foi o pessoal chegar no balcão e agradecer pelo café, “tá delicioso”, “tá gostoso”, isso fez com que eu me dedicasse cada vez mais e fui me apaixonando pelo café, pelo trabalho. Logo em seguida, quando vi que era aquilo que eu queria fui atrás do curso de barista, fui me dedicando, me aprimorando.

Como conquistou os campeonatos de Latte Art? Quantos participou?
Quando foi em 2007, trabalhando no Havana Café, teve o primeiro campeonato. Nesse campeonato de Latte Art, o engraçado é que foi a organização que foi atrás de mim, me convidar, em busca da minha técnica apurada. Eu quase não aceitei por causa da timidez, mas a única coisa que eu tinha que fazer era café, então participei e esse foi o primeiro campeonato que ganhei. Logo em seguida fui para Los Angeles representar o Brasil em um campeonato mundial, foi quando Deus me honrou com o vice-campeonato. Em 2008 no campeonato de barista promovido pela ABIC ganhei novamente uma competição. Em 2009 me consagrei bicampeão nacional de Latte Art, dessa vez fui representar o Brasil no campeonato mundial na Alemanha. No mesmo ano ganhei a Copa Barista. Totalizando tenho quatro campeonatos nacionais e duas participações mundiais. Fui chamado ainda para participar do VI Fórum Mundial sobre água na Alemanha, para servir o café brasileiro.

Como sua família vê sua carreira?
Vê com muito orgulho, por ter saído do interior do Ceará, ir pra uma cidade grande como São Paulo e me destacar no mercado nacional e mundial, é muito gratificante para todos da minha família.

Onde você aprendeu Latte Art?
Isso foi lá no Santo Grão, logo que comecei. A gente brincava de fazer Latte Art com a calda do chocolate sobre o leite. Um dia apareceu um barista profissional, um italiano, lá na cafeteria. Ele pediu para o dono para fazer uma demonstração, eu curioso, determinado a conquistar espaço na cafeteria, fiquei de olho na técnica dele, fui aprimorando, aprimorando até chegar à perfeição.

Como é o mercado de barista?
Em Fortaleza o trabalho que faço é de consultoria. O mercado em São Paulo está se consolidando. Hoje nós temos grandes cafeterias com grandes profissionais. O empresário tem consciência, que não adianta ter uma máquina TOP, uma máquina com tecnologia avançada e café muito bom, se ele não vai ter uma mão de obra qualificada para extrair um bom café.  Eles já reconhecem que eles necessitam de um profissional capacitado para fazer essa bebida.

Como surgiu esse convite do Amika?
Conheci a Danielly em um evento no ano passado, um colega de profissão que me indicou. Conhecer ela foi fantástico, ver a ideia dela, abraçar a proposta dela foi melhor ainda, uma pessoa que aposta no mercado. Quando a gente sentou e ela me mostrou a ideia, pra mim foi fantástico, porque eu nunca tinha visto isso no mercado de Fortaleza. Uma pessoa que bancou o que todo barista espera: servir um café de qualidade, servir a bebida corretamente extraída, um leite corretamente vaporizado. Então pra mim como profissional foi uma coisa que meu olho brilhou, mais ainda por ser no meu estado.

Qual o trabalho que você realizou no Amika?
Treinamento e juntos, eu e Danielly, desenvolvemos a carta de café. A maioria foi ideia dela, outros eu mostrei para ela que valia a pena colocar no cardápio.

Como está sendo esse trabalho realizado aqui em Fortaleza?
A resposta está sendo imediata. Você vê que o cliente vem para tomar uma boa bebida, um cappuccino na temperatura correta, por exemplo. Nossa ideia é servir uma bebida para o momento. Já tivemos vários elogios.

Hoje você ainda mora em São Paulo?
Sim, hoje consigo trabalhar como autônomo. Já realizei meu sonho de trabalhar na maior cooperativa de café do mundo. Senti-me honrado quando entrei lá e até hoje faço trabalhos para eles. 

Hoje você consegue viver neste mercado como autônomo?
Hoje meu trabalho consiste em consultoria, desenvolver cardápios a base de café, treinamento de baristas, de Latte Art, e eventos, hoje em São Paulo praticamente eu vivo de eventos.

Tem vontade de voltar para Fortaleza?
Sinceramente, até hoje não recebi uma proposta que me fizesse pensar em deixar os grandes eventos de São Paulo. Nem falo financeiramente, mas algo que meu coração se alegrasse a ponto de largar tudo lá. Em São Paulo o que me deixa confortável, é o mercado maior, os clientes já me solicitam sempre. Isso faz com que eu continue em São Paulo, um mercado que valoriza meu trabalho. Mas não é impossível voltar, mas hoje eu tenho aonde fazer o que eu amo.

O que é mais importante neste mercado?
A dedicação sem dúvida. Estudar, conhecer o que realmente está fazendo, isso é muito importante.

Colunistas

Ver tudo
31 de agosto de 2019

Fim de férias no delicioso Hotel Parque das Fontes de Beberibe

Autor: Patrícia Ferreira (Gourmet Fortaleza)

css.php