7, outubro, 2013

O vinho entre os jovens

Os números que definem o consumo de vinho no Brasil são bastante eloquentes, aqui mal se chega a 2 litros/ano por habitante, consumo certamente baixo mesmo para os padrões da América Latina e muito abaixo de países como França e Itália que consomem 20 vezes mais do que isso.

Mesmo assim podemos perceber que o vinho está cada vez mais presente na vida das pessoas das grandes cidades, de todas as idades e sexos.

Até poucos anos atrás se pensava que o vinho fosse consumido apenas por pessoas em idade madura, pensava-se que os jovens não pudessem se interessar por uma bebida cercada por certo misticismo como frequentemente era visto o vinho.

Até hoje me surpreende a maneira como alguns se aproximam desta bebida antiga e simples, com certo temor reverencial, quase como se tratasse de algo místico, quem sabe sagrado.

Longe de tudo isso o vinho é um produto extremamente natural, do campo, feito a partir de um único ingrediente, a uva, bebida de grande versatilidade, podendo acompanhar muitos momentos de nossa vida, desde celebrações a momentos intimistas, com seu apogeu escoltando a refeição onde o vinho assume seu papel principal como companheiro inseparável da boa gastronomia, seja esta a obra de um chef renomado, um informal encontro com amigos ou um jantar caseiro.

Talvez essa versatilidade seja melhor compreendida pelos jovens consumidores que, em meu trabalho de consultoria em lojas especializadas, vejo cada vez mais se aproximarem do vinho.

Por consumidor jovem entendo aquele de faixa etária entre os vinte cinco e trinta e cinco anos, homem ou mulher, que escolhe o vinho como companheiro de uma noite com os amigos, reunidos entorno de uma mesa, habito que está em franco crescimento em Fortaleza e que, tenho certeza, não acontecia na geração passada.

Até ai nada de estranho, na Europa é comum há muitos anos, vejamos isso como um sinal de que os gostos e os hábitos estão evoluindo em direção a um consumo consciente e moderado.

Cabe então se questionar se as lojas estão preparadas para atender este tipo de público, exigente, informado, que se de um lado é verdade que é influenciado pela mídia especializada, é também verdade que acata e aprecia sugestões de rótulos diferentes, quando bem apresentados.

Já podemos ver a diferença entre este consumidor e aquele mais maduro, este último muitas vezes aficionado de uma marca especifica que oferece certa resistência em experimentar vinhos diferentes, para bem atender o consumidor com este perfil precisa não deixar faltar o vinho que ele prefere, com certa oferta de alguns rótulos alternativos, porem parecidos e uma atenção especial no preço de venda.

Já o consumidor jovem é diferente, gosta de ser surpreendido, tem menos ideias preconcebidas e aprecia uma boa sugestão, não focando o preço como principal fator vinculante.

Por tudo isso acredito que a melhor maneira de atender esse novo consumidor, que, diga-se de passagem, representa o consumidor do futuro, seja através da capacitação cada vez maior da mão de obra, é indispensável que a organizar a adega de uma loja especializada esteja ali um sommelier, conhecedor do vinho e do cliente, pois apenas as promoções e as ofertas, em breve, não serão as únicas a pesar na decisão de compra dessa geração mais esclarecida e consciente; se torna indispensável uma reciclagem constante pois o mundo do vinho, milenar nas tradições, evolui e muda a cada safra, exigindo constante aprimoramento dos profissionais do setor.

Estas atitudes, em minha opinião, representam a melhor forma de se preparar para o mercado do vinho do futuro em nossa capital, futuro que está chegando a largos passos e que, aliás, no que me diz respeito, já chegou.

 

 

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