19, outubro, 2015

Sílvia Vasconcelos: uma história de paixão à boa e doce gula

Sílvia Vasconcelos
Sílvia Vasconcelos, criadora e mente criativa por detrás da marca Doce Gula (Divulgação)

Carisma, acolhimento, amor pelo que faz e muito apego à sua terra e regionalidadeSílvia Vasconcelos comanda a Doce Gula há mais de vinte anos e faz a alegria de diferentes gerações de pais e filhos. Com um público bastante fiel, a identidade e os vínculos que criou no bairro Cidade dos Funcionários hoje se estendem para a Aldeota, buscando o objetivo de expandir o sucesso profissional já consolidado.

Essa “confeiteira de mão cheia” nos recebeu para uma conversa acompanhada de muitas delícias: batemos um papo sobre sua carreira, sonhos, metas já alcançadas e os grandes passos de sua trajetória até aqui.

Bem, antes de começar, Sílvia, eu gostaria de confessar que sou seu cliente e fã faz muito tempo (risos)… É um prazer entrevistá-la.

Não, não, eu não acredito não… (risos). Ainda bem que você está no naipe de novo… Um dia uma moça veio aqui, com uma filha, e o repórter de um jornal local, um senhor de idade, me falando: “eu vou lá desde que eu era criança” (risos). Não é porque eu sou velha não viu, mas é porque eu comecei a trabalhar cedo. Desde cedo eu vivo na senzala… (risos).

Sílvia, há quanto tempo você criou a marca Doce Gula?

Há 23 anos… Eu e meu marido estávamos noivos, abrirmos a marca, e é a mesma até hoje. Depois disso eu fiz cursos, como no SENAC, Jean Lozano chocolatier… Eu fiz também faculdade, e viajei muito para fazer cursos… Para São Paulo, até em viagens internacionais, Espanha, Alemanha, França… Lógico que, mesmo com isso tudo, eu não deixo de lado a regionalidade.

Qual espaço ocupa o regional e a regionalidade na sua trajetória profissional?

Às vezes, eu vejo as pessoas falarem muito que fazem curso fora, estudam fora, mas eu não posso deixar de falar do que aprendi aqui… Com aquelas senhoras que realizavam banquetes, aqui em Fortaleza, eu realmente aprendi muito. Elas sabiam muito, e às vezes, nem mesmo elas sabiam do grau de conhecimento que possuíam… Elas fabricavam produtos como glacês, marshmallow, e chamavam aquelas coisas com outros nomes, de “um creme”… Sabiam fazer, mas não conheciam direito a origem daqueles produtos, como nomeá-los. Aprendiam com a vivência, que também é algo muito importante.

De onde veio a sua inspiração para os salgados, tortas, e para a confeitaria, de um modo geral?

Acho que eu tinha jeito, e gostava bastante… Comecei com 17 anos de idade no ramo, meu marido tinha 26. Depois do nosso noivado, abrimos a confeitaria. Desde então, a casa vive cheia e lotada… Começamos bem pequenos. A minha sogra, Socorro Vasconcelos, deu um grande apoio no começo. Ela tinha uma pequena confeitaria, gostava de cozinha e vendia bastante. Meu marido viu aquilo, era estudante de Administração na época… Depois, ficamos noivos, montamos a empresa, e uns quatro meses depois, nos casamos.

Quando você abriu este negócio, além de sua sogra, você tinha alguma outra grande inspiração, uma figura a qual você se remetesse?

No princípio, eu tinha mesmo é que aprender para inovar, crescer, e atender a grande demanda que iria surgindo… Imagina, há 23 três anos, esta Cidade dos Funcionários, onde não existia nada no começo? Fomos pioneiros, acreditamos no bairro, porque há muito tempo que eu estou aqui, e por agora mesmo é que as pessoas passaram a frequentar mais esta região.

Sílvia VasconcelosE essa paixão e criatividade com os doces, Sílvia? Como esses valores se expressam no renome, dia a dia e tradição construída na empresa Doce Gula?

O doce apaixona, ele é difícil de fazer… É uma obra de arte. A gente, por exemplo, tem uma parceria com a Nestlé. Eles enviam de vez em quando uns técnicos aqui, para dar consultoria, trazer produtos novos, incentivar a inovação… A gente aqui sempre deixa o pessoal muito livre para criar. Eu digo, quando alguém tem uma receita nova para fazer: “como é que você vai fazer?”… Misturamos o conhecimento técnico com o conhecimento prático. Eu, por exemplo, gosto muito da questão do visual. Quando eles (o time de confeiteiros) vão montar, eu os deixo bem livres, para expressarem a própria criatividade.

Hoje vocês têm um cardápio com mais ou menos quantas opções de tortas?

Bom, eu tenho bastantes tortas, porque a nossa torta é bem personalizada… Você monta a sua torta. Eu tenho a linha das tortas finas, especiais, tenho a linha da torta de kit kat… Mas você é quem monta a sua torta, o que me dá um leque bem grande de opções. Se você gosta de uma torta de abacaxi, leite condensado, limão… Se você gosta de algo assim, então pronto, é essa torta que eu faço para você. Gosto ninguém discute, né? Essas pré-fixadas, que são os modelos de vitrine, eu acho que tenho umas 60 diferentes… Para montar, fica a seu critério.

Uma pergunta bem pessoal: quais são seus ingredientes favoritos para a criação de doces?

Eu gosto muito do morango, apesar de não ser uma coisa da terra, mas ele dá um aspecto muito bonito à sobremesa, às tortas… O chocolate é indiscutível, o sabor do chocolate tem uma aceitação enorme… Acho que 90% das pessoas que vem por aqui gostam muito de chocolate. E eu trabalho muito também com doce de leite e o próprio leite, porque atendo assim às pessoas que não gostam do chocolate.

E salgados, com quais linhas de salgados você trabalha?

Tenho a linha de salgados de festa… Dentro desta linha, tenho os salgados tradicionais, e tenho os especiais, como canapés, vol-au-vents, folheados, salgados de forno com mussarela de búfala, carolinas recheadas, salgados de caviar… Rockfort, amêndoas… Estes são feitos apenas sob encomenda. Por fora, também tenho os salgados de lanche, desde a coxinha até os pães recheados.

Como empreendedora, como é trabalhar com o ramo de alimentação e com gastronomia, de um modo geral? Quais as principais dificuldades?

Eu tenho o meu pessoal, hoje em dia a gente tem 142 funcionários… E está aumentando. Lá (na Doce Gula Aldeota) eu comecei e já tive de contratar mais, graças a Deus foi um sucesso. Muito trabalhoso… Trabalhar com alimentação é algo fora do comum. Eu encaro como se fosse uma missão, algo para se ter bastante empenho. Se você fosse alguém que não me conhecesse, não conhecesse o meu movimento, visse uma loja deste tamanho, e eu te dissesse que eu tenho mais de 140 funcionários, você não acreditaria… E aí inclui-se segurança, motorista, cozinha… E olha que eu invisto sempre em equipamento, viajo bastante para procurar tecnologia. A mão-de-obra a cada dia que passa fica mais difícil, e trabalhar com alimentação exige muita dedicação. Como eu estava te falando, tudo é uma grande dedicação.

E sobre a nova sede da Doce Gula localizada na Aldeota, qual espaço ocupa essa novidade na expansão da marca?

A nossa loja na Aldeota está muito bonita… Ficou até mais do que a gente esperava. Está com cara de casa de chá, mas na verdade, não é uma casa de chá (risos)… Eu quis levar um pedaço dessa loja da Cidade dos Funcionários para lá. Eu tenho muitos clientes de lá que me pediam bastante. Muitas pessoas que moravam aqui casaram, foram morar lá… Eu tenho a minha demanda naquela região. E isso facilitou bastante a minha entrega de produtos. Além, também, de um público muito fiel.

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