27, dezembro, 2012

Unindo o requinte ao regional

 

Como surgiu a paixão pela culinária?
 Aos 8 anos de idade quando cozinhava com um grupo de amigas, cozinhávamos uma vez por semana sempre na casa de uma. Nessa época morava na Alemanha com minha família e não tínhamos secretária do lar, então terminava que quando queríamos algo diferente e fora da hora de alimentação normal corríamos para brincar de casinha de verdade. Aí o gosto foi só aumentando.
 
Fale um pouco da sua trajetória profissional, contado um pouco também de Recife e como chegou a Fortaleza, em quais lugares trabalhou?
Iniciei minha carreira gastronômica na Cuccina D`Carli , uma delicasse italiana em Recife. Lá me voluntariei, pois queria aprender, então iniciei o trabalho sem remuneração. Ingressei no SENAC com o incentivo da minha chef na época, Albânia D`Carli. Durante o curso no SENAC estagiei no Pomodoro Café , do chef Duca Lapenda. Iniciei minha jornada de estágios já contratada pelo Pomodoro, agora lançando vôos mais altos. Estagiei na Alemanha em 2005, no restaurante DOM com o chef Alex Atala em 2007, na Nigéria, Lagos, em 2008 e por último estive no ano de 2009 em Lisboa na Tasca da Esquina com o chef Vitor Sobral. Todos estágios que variavam de 1 a 3 meses. Em 2007 recebi o convite do chef Tadeu Lubambo para chefiar o restaurante Beijupirá aqui em Fortaleza. Desde então conquistada pelas terras de Iracema me fixei em Fortaleza e há dois anos abri meu restaurante O Banquete.
 
Qual foi seu maior desafio na vida profissional?
Chefiar meu primeiro restaurante o Beijupirá, pois foi o meu primeiro cardápio em uma cidade nova, liderando uma equipe que eu conhecia ninguém.
 
Como surgiu a ideia do restaurante O Banquete? Porque torná-lo algo tão restrito, digamos assim?
 Ele não é restrito é secreto, e tem por essa proposta a ideia de levar as pessoas a descobrirem O Banquete e assim serem recebidas com exclusividade , pois sendo necessário a reserva, o cliente ao ligar e marcar um horário desenvolve uma relação próxima com a equipe do banquete. A ideia do Banquete surgiu com um restaurante secreto que abri em meu apartamento, Jardins de Passárgada – inspirado no poema de Manoel Bandeira – que se desenvolveu para um convite de abrir um restaurante dentro da escola de filosofia Nova Acrópole.
 
Como é seu dia a dia profissional?
Acordo e penso no que vamos oferecer aos nossos clientes. Começo com a frase do dia, enviando os emails aos nossos clientes. Em seguida vem a compra dos hortifrutis do dia. Diariamente fazemos uma salada ou entradinha diferente para o menu do dia. O corre-corre é grande, mas também muito rico!
 
Quais são as influências na sua culinária?
Asiática, principalmente a indiana, e a europeia alemã, influência da infância que passei lá. Mas todas essas influências vêm para agregar à culinária regional, invariavelmente uso produtos da terra e adoro resgatar lembranças da infância!!
 
Atualmente, qual tipo de gastronomia que gosta de fazer?
Estou me enacantando cada vez mais com a cozinha contemporânea, ainda não trabalhamos 100% com essa proposta mas será nossa meta em 2013. Uma cozinha que harmoniza sabor e apresentação inovadores para o cliente.
 
O que você acha da inserção de produtos regionais nas receitas, por mais que elas sejam italianas, francesas ou outra linha gastronômica?
Inevitável para se trabalhar bem. Além de estarmos incentivando o produto local, trabalhamos com a certeza que aquele produto não faltará e podemos assim nos programar e planejar.
 
Como é ser chef no mercado cearense?
 Desafiador. A cultura gastronômica vem crescendo, mas ainda é nova aqui. O valor ao trabalho do chef ainda não é tão explorado, a mentalidade de sair para comer, não necessariamente bem, é muito forte. Fortaleza ainda será um dos grandes polos gastronômicos do Brasil, mas estamos no caminho certo.
 
O que tem a dizer para aqueles que pretendem embarcar neste mundo da gastronomia profissionalmente?
Não desistam nunca dos seus sonhos. É um caminho difícil para aqueles que querem resultados rápidos, mas é uma estrada cheia de descobertas e aprendizados para aqueles que amam o que fazem. Na vida temos sempre duas opções: viver para aprender ou aprender para viver! Eu indico a segunda.
 

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